À minha adolescência, com carinho
O texto não é meu, mas adorei o jeito como ele foi escrito.
A adolescência, o momento da vida em que um adolescente é apenas um adolescente, surge após um espasmo na massa cerebral despoletado por um encadeamento e sobreaquecimento das glândulas sebáceas, após o despertar sexual que é consequência das mucosas gordurosas que sobem e ostentam timidamente no focinho. Conseqüentemente eles começam a ter desejos incontroláveis de comer a vizinha, e as meninas de pegar o garoto mais legal da escola de merda delas. Há quem afirme que os adolescentes deviam ser exterminados, mas é bem provável, que tal tarefa fosse impossível, tendo em conta as vezes amiúdes em que a suas tentativas de simulação de acasalamento se tornam acasalamentos de verdade. Eles possuem um poder de reprodução muito rápido. Diria que é semelhante aos coelhos.
A alimentação-tipo dos seres chamados adolescentes é maioritariamente constituída por comidas gordas, muitas vezes aquecidas em óleos gastos e poluídos, ou, por coisas que normalmente não teriam sabor, caso não tivessem sal ou açúcar. As suas comidas costumam ser condimentadas com bastante sal e açúcar, contudo, nem todos optam por este caminho e alguns preferem não comer de todo, de maneira a poder seguir uma linhagem, influenciada pelo ideal de beleza etíope, promovido pela mídia e pela indústria da moda, que age desta forma para poder poupar tecido. E ainda tem aquelas (sim, apenas as fêmeas!) que chegam a parar de comer pra poder ingressar no grupo, essas são as chamadas retardadas anorexas e safadas.
Os adolescentes gostam de se distinguirem uns dos outros e para isso, numa tentativa de serem radicais e interessantes, vestem-se de maneiras estúpidas e estranhas, como que cada um deles fosse um visionário de um futuro decadente e triste. Cristas pintadas, roupas rasgadas, rôtas e pedaços de metais, talvez numa vã esperança de espremer as borbulhas para fora de si-mesmo, sem qualquer utilidade prática.
Os adolescentes são adultos em tamanho pequeno, logo são estúpidos como eles. Uma das coisas que valorizam bastante é a hierarquia, o status quo. Apesar da maioria se querer integrar, paradoxalmente, como nunca se sentem integrados realmente devido à sua idade e insegurança, acabam por entrar numa tentativa de se autoexcluírem e se tornarem seres especiais e diferentes, à busca de outros seres especiais e diferentes, parecidos com eles e, logo, iguais a eles. É daí que nascem as tribos.
Os grupos de teenagers tem um líder, uma pessoa, geralmente chata e irritante, mas que fala muito e fala com toda a gente, normalmente para criticar ou comandar. São seres que não raras vezes gritam e fazem birras, muitas vezes podendo ser violentas ou tentando humilhar as pessoas que as rodeiam de maneira a subirem num pedestal imaginário. Ora, estas pessoas tem falhas de personalidade e pontos fracos bastante fáceis de usar. Eles normalmente não deixam as pessoas argumentar, pois falam mais alto que um megafone e usam argumentos de forma repetitiva e com melodias ridículas. A forma de desconstruir isso é manter a calma e tentar mostrar a essa pessoa como é ridículo tentarem monopolizar as pessoas através de infantilidades e da criação de medo. Normalmente, os líderes dos adolescentes, não tem amigos e por isso são muitas vezes infelizes. Quase todos odeiam ou invejam este tipo de "líder", e por isso as pessoas só as usam para consolidar ou tentarem manter o seu status-quo no grupo.
Em oposição ao líder do grupo, os grupos de adolescentes tem sempre um elo mais fraco. Alguém que, apesar de parecer frágil, é imprescindível e que pode derrubar o funcionamento normal de um grupo. Um grupo de amigos geralmente junta-se em oposição a um grupo de inimigos, dentro ou fora do grupo. Essas pessoas são obrigadas a serem subjugadas, pois convivem sempre com medo da exclusão social. Por isso, são facilmente humilhadas e costumam fazer favores a toda a gente - às vezes sexuais - mesmo quando a vontade e a consciência dizem o contrário. Essas atitudes costumam, apenas, revelar a falsa noção que essas pessoas tem de que há pessoas melhores e pessoas piores, e por sonharem, apesar de não transparecerem, de um dia estar no lado inverso.
Nos grupos de adolescentes existe também um arquétipo que são os palhaços, o palhaço do grupo. O palhaço do grupo é uma pessoa insegura, e como acha que não tem capacidade nenhuma especial, para além de conseguir fazer as pessoas rir, se especializou unicamente nessa função, não tendo jeito para mais nada. Das duas uma, ou será um futuro artista, ou trabalhará a varrer o lixo da rua e as pessoas continuarão a rir dele.
Fases
Pré-adolescência (dos 0 aos 11 anos)
É a primeira fase. O moleque sempre responde que a melhor coisa do mundo é mulher, mesmo não sabendo o porquê. A característica principal desta fase é andar em bando do mesmo sexo (ou seja, menino com menino, menina com menina e emo com emo) e colecionar adesivos de time de futebol, carro ou grupo de Rock. Surgiu recentemente uma nova classe que coleciona posters do RBD, mas calcula-se que terão vida tão curta quando a qualidade da música que ouvem.
Adolescência [Vulgo Aborrescência] (dos 12 aos 18 anos)
É a fase mais aguda. Segundo uma recente pesquisa da BBC de Londres, o cérebro fica cheio de hormônios que passam a ocupar o lugar dos neurônios. A vítima desse surto começa a ter comportamentos estranhos, como passar horas numa lan-house trocando mensagens com o colega que está do lado, usar roupa do avesso, fazer a maior pose de experiente quando está perto de pessoas do sexo oposto e dizer que já ficou com mais gente do que a Elizabeth Taylor ou o Freddy Mercury — mas ainda morre de medo de pagar o mico de dizer que ainda é virgem. Pior, acredita naquele papo furado dos amigos dizendo que já pegaram alguém. Alguns carregam camisinhas na carteira, com prazo de validade vencido. Outra característica curiosa dessa doença é que todos os afetados querem ser diferentes e entram para uma tribo para serem iguais. É só ver os emos e sua versão descabelada eos skinheads para comprovar essa condição.
Felizmente essa fase não "dura" muito: o vestibular diminui muito esses problemas, pois o álcool da cervejada que tomam depois de cada prova empurra os hormônios para o seu devido lugar: os intestinos.
Observação: Algumas meninas já entram nessa fase já com 10 ou 11 anos.
Pós- Adolescência [Vulgo Pós-Aborrescência] (dos 19 aos 30 anos)
Apesar de ainda ser uma fase crítica, é menos chata do que a aborrescência. O pós-aborrescente já está na faculdade ou trampando e, por isso, não tem muito tempo de encher o saco dos outros. Já não escuta mais RBD, mas ainda escuta outras porcarias em volume insuportável e descobre quanto custa uma caixa de cerveja. Continua carregando camisinha na carteira – pelo menos até os 20 anos, dependendo do teu nível de feiúra e estupidez - , mas agora já tem alguma possibilidade de uso: fazer bexiga em festas, achando que isso o torna irreverente.
Adultice (dos 31 até a morte)
É uma fase ambígua: o indivíduo teoricamente já passou da idade (ou seja, passou dos 30 anos) mas ainda mantém comportamentos da aborrescência. É caracterizada por amor incondicional ao seu time, crise de choro, penteados esquisitos. O adulto não tem um idade fixa, muitos com mais de trinta anos ainda usam bermudas corsário com sandália, fazem tatuagens ridículas com declarações de amor e colocam escapamento esportivo no fusca 72. É nessa fase que o adulto pode virar emo de vez, se for novo, ou uma bichona, se for mais velho. Se bem que, segundo alguns psicólogos, ninguém vira emo; no máximo, sai do armário, ou melhor, do elevador do shopping.
Em casos graves, o indivíduo que passou dos 40 anos vai continuar falando com gírias arcaicas até os noventa anos, fica tentando andar com a galera mais nova e ao mesmo tempo dizendo que é jovem de espírito. Costuma usar piercing em lugares impróprios e dizer que transou com uma mulher 70 anos mais nova.
Outra coisa é o ex-aborrescente que esqueceu o que já passou, reclama que o namorado da filha quer fazer com ela o mesmo que ele quis fazer com a mãe dela, reclama que o filho voltou pra casa tão tarde quanto ele voltava e ainda pergunta pro aborrescente se ele acha que dinheiro cai do céu. Devido ao que falou trinta anos atrás, fica conhecido pela negação da frase: nunca beberei desta água.
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